Cirugia • 03/04/2026
A cirurgia da mama tem vivido uma evolução sem precedentes. Hoje, o foco não está apenas na segurança oncológica, que permanece a prioridade absoluta, mas também na preservação da imagem e da qualidade de vida da mulher. Nesse contexto, a mastectomia endoscópica surge como uma técnica minimamente invasiva de vanguarda.
Esta abordagem é uma alternativa sólida para o tratamento do cancro da mama ou para a cirurgia redutora de risco, oferecendo resultados estéticos superiores em casos selecionados através de tecnologia de alta definição.
Apesar dos avanços, é importante compreender que nem todas as pessoas são candidatas a esta técnica, sendo sempre necessária uma avaliação individualizada numa consulta especializada.
O que é a mastectomia endoscópica?
A mastectomia endoscópica é uma técnica cirúrgica que utiliza instrumentos endoscópicos e uma câmara de alta resolução para remover o tecido mamário através de uma incisão pequena e discreta.
Ao contrário da mastectomia convencional, que normalmente exige incisões mais extensas na mama, esta abordagem permite realizar a cirurgia através de uma incisão menos visível, muitas vezes localizada em áreas mais discretas, como o sulco lateral da mama ou a axila.
Durante o procedimento:
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É realizada uma pequena incisão para introduzir uma plataforma de porta única, que permite introduzir a câmara e os instrumentos cirúrgicos através de uma única via de acesso, mantendo a pressão e a visibilidade ideais durante todo o procedimento.
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Instrumentos cirúrgicos especializados são utilizados para dissecar e remover o tecido mamário
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A visualização ampliada da câmara permite ao cirurgião trabalhar com maior precisão
Esta técnica é desenhada especificamente para situações em que é possível a preservação total da pele e do complexo areolomamilar (CAM). A visualização ampliada pela câmara de alta definição facilita a dissecação precisa, criando as condições ideais para uma reconstrução imediata com um aspeto muito natural.
A segurança e eficácia desta abordagem não são apenas uma perceção clínica; estão fundamentadas em evidência científica robusta. Publicações em revistas de referência, como a BJS Open , demonstram que o desenvolvimento da técnica endoscópica permite alcançar resultados oncológicos excelentes, desde que aplicada em casos criteriosamente selecionados.
A mastectomia endoscópica não é uma técnica universal, mas sim uma solução de elevada diferenciação para casos específicos. A sua aplicação é considerada nos seguintes contextos:
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Tratamento de cancro da mama em fase inicial: Sempre que as características do tumor permitam a preservação total do envelope cutâneo e do complexo areolomamilar (CAM).
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Cirurgia redutora de risco: Em mulheres com risco elevado ou predisposição genética que optam pela prevenção, garantindo um resultado estético superior e menos estigmatizante.
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Mamas de pequeno volume (Copa A ou B): Estas são as candidatas ideais para a abordagem endoscópica, uma vez que a anatomia facilita a manipulação precisa dos instrumentos através do sistema de porta única.
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Necessidade de Biópsia do Gânglio Sentinela (BGS): Nas situações oncológicas em que é necessário o estudo da axila, este procedimento é realizado através da mesma incisão no sulco lateral, evitando cicatrizes adicionais e reduzindo o trauma cirúrgico.
Critério de Seleção: É fundamental reforçar que esta técnica pressupõe a conservação do mamilo. Se a avaliação clínica indicar a necessidade de remover o CAM para garantir a segurança oncológica, optamos por técnicas convencionais, que permitem um controlo mais direto e adequado nessas circunstâncias.
Principais vantagens da mastectomia endoscópica
A utilização da técnica endoscópica com sistema porta única oferece benefícios que vão muito além da questão estética. Ao optar por esta via minimamente invasiva, as principais vantagens são:
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Incisão única e lateral: Ao contrário da cirurgia convencional, que pode exigir múltiplas cicatrizes, esta técnica utiliza apenas uma incisão no sulco lateral da mama. É através desta mesma via que realizamos também a Biópsia do Gânglio Sentinela (BGS), evitando cicatrizes adicionais na axila.
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Precisão tecnológica: A utilização de uma câmara de alta definição permite uma visão detalhada das estruturas anatómicas. Isto resulta numa menor agressão cirúrgica, com um controlo mais rigoroso dos tecidos e vasos sanguíneos.
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Resultados estéticos superiores: O grande trunfo desta abordagem é a manutenção da integridade do envelope cutâneo e do CAM. Quando combinada com a reconstrução imediata, a mama mantém um contorno e uma aparência muito mais naturais.
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Recuperação mais célere e confortável: O menor trauma nos tecidos traduz-se, habitualmente, num pós-operatório com menos dor e numa recuperação física mais rápida, permitindo à mulher retomar a sua rotina num curto espaço de tempo.
É importante sublinhar que o sucesso destes benefícios está diretamente ligado à seleção rigorosa da paciente — sendo as mamas de volume pequeno (Copa A/B) as que mais beneficiam, e à experiência da equipa cirúrgica nesta tecnologia específica.
Quem pode realizar uma mastectomia endoscópica?
Apesar de ser uma técnica altamente atrativa pelos seus resultados estéticos, a mastectomia endoscópica não é indicada para todos os casos. A elegibilidade para esta abordagem depende de critérios clínicos e anatómicos rigorosos que garantem, acima de tudo, a segurança da paciente.
Os principais fatores de seleção incluem:
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Volume Mamário: As candidatas ideais são mulheres com mamas de pequena dimensão (Copa A ou B). Nestes casos, o espaço de trabalho para a técnica de porta única é otimizado, permitindo uma precisão superior.
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Preservação do CAM: Esta técnica é especificamente indicada quando não há necessidade clínica de remover o mamilo e a aréola. Se a doença exigir a exérese do CAM, as técnicas convencionais são as mais adequadas.
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Ausência de Envolvimento da Pele: A pele da mama deve estar íntegra e sem sinais de invasão pela doença, permitindo a sua preservação total.
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Localização do Tumor: A posição da lesão deve permitir uma margem de segurança adequada através da dissecação endoscópica.
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Avaliação por Imagem: Os resultados da mamografia e, muito frequentemente, da ressonância magnética mamária são cruciais para mapear a extensão da doença e confirmar a viabilidade da técnica.
Estes elementos ajudam a determinar se a abordagem por via única no sulco lateral é a mais segura para o caso específico. Por este motivo, a decisão nunca é padrão; deve ser sempre tomada após uma avaliação individualizada em consulta.
A importância de uma avaliação especializada
A escolha da técnica cirúrgica não é um processo estanque; é uma decisão clínica e estética que deve ser moldada a cada mulher. Na consulta especializada em patologia mamária, dispomos do tempo e do rigor necessários para:
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Analisar detalhadamente os exames de imagem: Avaliar se a anatomia e a extensão da doença permitem uma abordagem minimamente invasiva.
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Definir a viabilidade técnica: Confirmar se o volume mamário (sendo as Copas A/B as mais favoráveis) e a possibilidade de preservação do CAM.
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Planear a intervenção axilar: Discutir a realização da BGS (Biópsia do Gânglio Sentinela) através da mesma incisão no sulco lateral, simplificando o processo cirúrgico.
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Alinhar expectativas: Compreender os benefícios e as limitações de cada abordagem, garantindo que a paciente se sente segura e informada.
A mastectomia endoscópica é uma ferramenta de vanguarda na cirurgia da mama, mas o seu sucesso depende de uma seleção criteriosa. O objetivo final é sempre triplo: garantir a segurança oncológica, assegurar a eficácia do tratamento e proporcionar um cuidado humano e centrado na pessoa.
Conclusão
A evolução tecnológica permite-nos hoje oferecer soluções que protegem a autoimagem da mulher sem comprometer a eficácia do tratamento.
A mastectomia endoscópica representa esse equilíbrio entre inovação tecnológica e cuidado centrado na pessoa.
No entanto, qualquer decisão deve ser precedida de uma avaliação clínica cuidada e individualizada.
Se tem dúvidas sobre cirurgia da mama ou pretende compreender melhor as diferentes opções de tratamento, marcar uma consulta especializada pode ajudar a esclarecer e orientar com segurança.