Patologias da mama • 19/06/2026
Receber o diagnóstico de cancro da mama levanta muitas dúvidas. Uma das primeiras é perceber que nem todos os cancros da mama são iguais.
Hoje sabemos que existem diferentes tipos de cancro da mama, com comportamentos distintos e respostas diferentes aos tratamentos. Esta distinção não é apenas um detalhe técnico: é fundamental para orientar o tratamento, prever a resposta às terapêuticas e definir uma abordagem mais personalizada.
Compreender estas diferenças pode ajudar a tornar o processo mais claro e menos assustador.
Porque existem diferentes tipos de cancro da mama?
O cancro da mama é classificado de acordo com as características das células tumorais.
Após a biópsia, o tecido é analisado em laboratório para identificar, entre outros aspetos:
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se existem recetores hormonais, nomeadamente para estrogénio e progesterona;
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se existe sobre-expressão da proteína HER2;
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outras características biológicas relevantes do tumor.
Esta informação ajuda a perceber como o tumor se comporta e quais os tratamentos que poderão ser mais eficazes.
De forma geral, os tipos mais frequentemente referidos são:
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cancro da mama luminal ou hormonal;
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cancro da mama HER2 positivo;
-
cancro da mama triplo negativo.
Cancro da mama luminal ou hormonal
O cancro da mama luminal, também conhecido como cancro da mama com recetores hormonais positivos, é o tipo mais comum.
Neste caso, as células tumorais apresentam recetores para hormonas, como o estrogénio e/ou a progesterona. Isto significa que o crescimento do tumor pode ser influenciado por estas hormonas.
O que caracteriza este tipo de tumor?
De forma geral, os tumores hormonais tendem a apresentar:
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crescimento habitualmente mais lento;
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maior probabilidade de resposta a terapêutica hormonal;
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prognóstico frequentemente favorável, dependendo do estádio e de outros fatores biológicos.
Como é tratado?
O tratamento pode incluir:
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cirurgia;
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radioterapia;
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terapêutica hormonal, também chamada hormonoterapia;
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quimioterapia ou outros tratamentos, quando indicados.
A presença de recetores hormonais é uma informação essencial para definir a melhor estratégia terapêutica em cada caso.
Cancro da mama HER2 positivo
No cancro da mama HER2 positivo, as células tumorais apresentam níveis elevados da proteína HER2, associada a maior crescimento e multiplicação celular.
Durante muitos anos, este subtipo foi considerado mais agressivo. No entanto, o desenvolvimento de terapias dirigidas contra o HER2 mudou de forma muito significativa o seu prognóstico.
O que caracteriza este tipo de tumor?
O cancro da mama HER2 positivo pode estar associado a:
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crescimento mais rápido;
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comportamento mais agressivo se não for tratado;
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boa resposta a terapêuticas dirigidas específicas.
Como é tratado?
O tratamento pode incluir:
-
cirurgia;
-
quimioterapia;
-
terapêuticas dirigidas contra HER2;
-
radioterapia ou outros tratamentos complementares, conforme o caso.
A existência de tratamentos específicos para HER2 permite, atualmente, uma abordagem muito mais eficaz e personalizada.
Cancro da mama triplo negativo
O cancro da mama triplo negativo recebe este nome porque as células tumorais não apresentam recetores hormonais e não têm sobre-expressão da proteína HER2.
Ou seja, é “triplo negativo” porque é negativo para:
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recetores de estrogénio;
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recetores de progesterona;
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HER2.
O que caracteriza este tipo de tumor?
O cancro da mama triplo negativo pode apresentar:
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ausência de resposta a terapêutica hormonal;
-
ausência de indicação para terapêutica anti-HER2;
-
comportamento mais agressivo em alguns casos;
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maior frequência em mulheres mais jovens, embora possa surgir em qualquer idade.
Como é tratado?
O tratamento baseia-se sobretudo em:
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quimioterapia;
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cirurgia;
-
radioterapia, quando indicada;
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outras abordagens terapêuticas, dependendo das características do tumor e do estádio da doença.
Apesar de ser um subtipo que pode gerar maior preocupação, é importante reforçar que existem opções de tratamento eficazes. A abordagem deve ser sempre individualizada.
Porque é que esta classificação é tão importante?
Conhecer o tipo de cancro da mama permite:
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escolher o tratamento mais adequado;
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evitar tratamentos desnecessários;
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prever melhor a resposta às terapêuticas;
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personalizar o seguimento;
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discutir o prognóstico de forma mais ajustada a cada situação.
Cada subtipo ajuda a orientar decisões, mas não deve ser interpretado isoladamente. O estádio da doença, o grau do tumor, o estado dos gânglios, a idade da doente, outras doenças associadas e as preferências individuais também são importantes na decisão terapêutica.
O tipo de cancro define o tratamento, não define a pessoa
É natural que termos como “HER2 positivo” ou “triplo negativo” causem preocupação.
No entanto, estes nomes não são rótulos. São ferramentas médicas que ajudam a escolher o melhor tratamento possível.
Cada caso é único. A forma como a doença evolui depende de vários fatores, e não apenas do subtipo do tumor.
Por isso, mais do que focar apenas no nome do tipo de cancro, é importante compreender o plano de tratamento proposto, esclarecer dúvidas e manter uma comunicação próxima com a equipa médica.
O diagnóstico precoce continua a ser fundamental
Independentemente do tipo de cancro da mama, há um fator que continua a fazer uma grande diferença: o diagnóstico precoce.
Quanto mais cedo a doença é identificada, maiores tendem a ser as opções de tratamento e melhores podem ser os resultados.
Estar atento a alterações da mama, realizar os exames recomendados e procurar avaliação médica perante sinais suspeitos continua a ser essencial.
Conclusão
O cancro da mama não é uma doença única, mas sim um conjunto de diferentes subtipos, com características próprias.
Compreender a diferença entre cancro da mama luminal, HER2 positivo e triplo negativo ajuda a tornar o processo mais claro e permite perceber porque é que o tratamento deve ser pensado de forma individualizada.
Informação clara, orientação adequada e acompanhamento especializado são fundamentais para reduzir a ansiedade e apoiar decisões mais conscientes ao longo do percurso.
Se recebeu um diagnóstico de cancro da mama ou tem dúvidas sobre o tipo de tumor identificado, uma consulta especializada pode ajudar a compreender melhor o seu caso e o plano de tratamento mais adequado.